sexta-feira, 18 de março de 2016

Estrangeiro



Eu quase morri, ou quase fui morta.
Não entendo como isso foi acontecer... Eu quase fui morta sob a acusação de não ter sentimentos. ESTRANGEIRA!
Prefiro ter esse coração de gelo então, a não ter coração algum...

Aquelas

"tempos idos, que acreditavam verdadeiros"*



Certa vez brincamos com cílios caídos, eu desejei que você fosse feliz, independente de mim, de nós... a paixão já escorria entre os dedos, e eu te amava.

Por que você quer fazer isso? Eu disse certa vez.

"Porque você sempre esteve aqui."

Partimos e nos esvaziamos. Eu pude me completar, e agora me sinto um tanto mais inteiro, tudo o que não podemos nos dar. Sigo.


"... teu grito um poema florido"*



*Toca "Aquelas"... 

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Sem jeito

Todos os lugares parecem me expulsar, chego em algum lugar e já desejo ir embora, vou embora, e já desejo voltar... 
O melhor lugar sempre é aquele onde eu ainda não estou.
Essa sensação tola que temos no trajeto entre um lugar e outro, a sensação de que tudo ficará melhor quando chegarmos, mas eu sempre chego no lugar errado.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

A flor do querer





Ele está ficando grande demais para o espaço...
Logo ganha o espaço do mundo

Quantas vezes eu me senti sozinha no mundo? Quantas vezes meu rebento infelizmente sentirá o mesmo? E eu, quantas mais hei de sentir-me assim? Não importa, por hora, pela primeira vez cantarei o oposto de "Haven beside you", pois o céu está dentro... como Camus disse certa vez, que no meio de um inverno finalmente aprende-se que há dentro de si, um verão invencível.

E eu que até agora andei pelo mundo me satisfazendo e me enfadando, para em seguida buscar mais satisfação e mais quereres, sinto agora a necessidade do outro ser finalmente, sinceramente, o meu maior querer.

E talvez seja mesmo um fato, não existe maior brutalidade do que este querer, em ser tudo que é preciso ser, ainda que seja preciso ser o oposto do que queremos ser.




segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Filha da mãe






Quando a gente ta sozinho, a maior vontade é chamar alguém pra perto... muitas vezes eu quis a minha mãe, e por mais que ela me abraçasse e me ninasse como a um bebe, eu precisava de mais... talvez se eu pudesse voltar

O meu rebento está aqui dentro, e tudo que ele merece é amor, mas nem sempre as pessoas que deveriam amá-lo, o fazem.
Uma sorte ele ainda não poder sentir-se só... e em partes, é a minha melhor companhia, é também o único e imenso consolo.

Quando a gente ta sozinho, a maior vontade é chamar alguém pra perto... algumas pessoas podem ter sorte de manter babás variadas ao redor

Eu tenho... minha mãe

Cada dia fico um pouco mais perto de sentir o que minha mãe sente... todos os dias eu descubro algo novo, e penso: "era isso que ela sentia!" 
E quantas coisas mais ela sentiu e suportou? Uma mulher tão pequenininha que eu não sei como cabe tanto coração.

Vejo que me tornar mãe, também me torna mais filha... 
como qualquer mulher ou homem, 
mais filha da mãe!

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Diante da morte de Bowie (As The World Falls Down)






Estou há algumas horas chorando, sem porra de motivo algum... ou talvez seja pela morte do David Bowie, acho que esse é o verdadeiro motivo. 

Não há nada relacionado a estar grávida, ou doente e adoecendo gradativamente, pois é como me sinto, apesar do meu amor aumentar com a barriga.

Não há nada de errado por eu sempre me sentir estrangeira, exatamente como Camus descreveu em seu livro, sobretudo nos parágrafos finais, quando ele diz que alguém que tenha vivido um dia em liberdade, possui memoria o bastante para detrair-se com os detalhes do mundo quando em carcere. Acho que a ideia é mais ou menos essa. Gravo bem os últimos parágrafos, pois sempre os leio duas vezes, sendo a primeira antes de iniciar o livro... é como um código entre "eu e mim", que jamais pude reproduzir em Ulisses do Joyce, por motivos óbvios.

Eu diria que o carcere não existe! De modo algum! Sobretudo, aos que precisam do mundo inteiro e sentem-se presos quando em seus quartos, e sentem que este irá lhes engolir o corpo inteiro, e triturar seus ossos com dentes de tijolos e vigas de concreto, talvez haja mesmo um ácido dentro das paredes para auxiliar a digestão.

As vezes o quarto é como a cobra de estimação de uma historia que li outro dia, que ficou semanas sem comer, a bichinha, e quando levada ao veterinário, este explicou a preocupada dona da bichaninha : "ela estava se preparando para comer você"

PS:. sobre meditar, não meditei.



quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Mexendo

 Bipolaridade é solidão sem fim. Gravidez é processo doloroso, talvez com todas, mas perco o controle com frequência, remédios para síndrome do panico, ajudam pouco, trabalhar a mente é difícil, sorte encontrar amigos que fazem meditação, pretendo aprender, começo amanha... 

Juro, não cria que fosse verdade, apesar da analise, dos laudos... há semanas eu chorava, repetindo "coitadinho dele, nem tem mãe", Mas, senti-lo mexer, me fez um tanto mais mãe. Eu sou mãe, sou a sua mãe, um dia saberei de tudo, mas nem todos os dias.

Romantizo, como sempre, que tudo irá mudar, com a sua vinda... sei que não irá, mas é acalentador, esperar por olhos infantes me seguindo e sentindo-se seguro ao meu lado. Difícil é que jamais terei a certeza de poder oferecer tal segurança, pois a única redoma que os impede das dores do mundo é minha barriga

Por fim realizo o desejo de ser mãe antes dos trinta, mas isso é vã. Eu poderia já ter sido mãe, e penso todos os dias no filho perdido, talvez seja este, voltando a mim, ou, o mais provável, ele é apenas um acasos biológicos minimamente planejado, e infinitamente amado.