sábado, 30 de dezembro de 2023

O descobrimento da Banana


Tudo cresce como nunca! Todos os lados e todas as dimensões se expandem... 

O que irá acontecer comigo? Serei esquartejada! Cada membro amarrado em lados opostos, mesmo os cabelos crescem cheios para serem presos. 

E que puxem por todos os lados! 

E que me escalpelem e só reste o vazio do que há em mim, esse cansaço embriagado pela náusea do que eu imaginei que seria.

A  cabeça descola do pescoço, como todas as outras partes irão descolar, jamais pude ver em qual dos cinco lados eu realmente estou!

Nada mais existe de mim, em mim. 

Nada possuo que seja tão imponente, para competir com ELA! 

Nada em mim jamais foi tão sagrado quanto criminoso. Somente ELA. 

Sou o tronco naturalmente torto, de uma pereira. Não vejo flores em você! Mas do alto descubro que os pássaros que vemos pretos, são, em verdade, verdes.

Seu puro canto transbordava minha total falta de ar, unia-se ao vômito do alimento recém deglutido.  Inclusive ELA e seu ovo, pareciam desejar se quebrar. 

Somente ELA, nem mesmo a imaginação DELA, mas apenas ELA, a barriga...

... como verdade e realidade. 

... como saber saboreado, mesmo quando amargo.

... como vida que falece e ressuscita  

Porque eu não sei o vai acontecer comigo, mas eu sei que eu vou morrer, e ainda seguirei vivendo e temendo todos os dias seguintes e a própria morte.

Vamos parar!...  

A minha carne se multiplicará fazendo das minhas dores mais que minhas e mais que dores. 

Uma onda! "Eu tô aqui".  

- Outra onda!

"Eu estou aqui"

- Como é?

- Agora tremeu! Sentiu?

- Não.

- Aqui embaixo.

- Nada, não senti, como é?

- Passa a ponta da língua na bochecha, de cima pra baixo, e depois de novo.

- Então é assim?

- Não é como ter gases.

"Olha ai!, Ah o meu Guri, Olha ai! Olha ai! É o meu guri"

- Não acontece nada ai dentro quando eu canto?

- Não.


*Quando fiquei grávida, minha mãe disse "Agora você nunca mais estará sozinha". De fato! Ele me diz todo dia "Mamãe! Vou ficar sempre do seu lado!". 

Eu morri, com a pele arrebentada, ossos desencaixados, e todos os meus 32 dentes quase soltos frágeis como meus cabelos que até hoje caem. Eu morro transformanda em nutrição há quase 4 anos, sou inteiramente o alimento que se verbaliza todos os dias. Sou como o SIM de Maria! Todas nós ouvimos a voz de Deus, e todos que vem de nós foram "Conceptio per aurem", como Cristo.

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

"Noite estrelada" ou Depois do Teto o Tédio



Meu coração queima quando mantenho TRÊS dos meus dois pés no passado, toda voz fala por ecos.

Quando todos os barulhos são paridos pelo silêncio, eu não sei em que tempo estou.

Saboreio o presente por benditos olhos puros e inocentes, como foram os meus nas aulas de história da arte moderna.

O que já foi entregue bento e sacro como uma transgressão geométrica, direciona meu olhar para frente.

Mas em sua ausência, o que carrego é "... sobretudo, cansaço"

Eu quis ter filhos de outros lábios. Aguardei o fenômeno das Peras que caem de Carvalhos balançados por Santos, mas os pintassilgos sempre voavam cantando, buscando em mim ninhos de Pelos nos Campos. Sua liberdade me desatentou.

Andei em círculos. Mesmo após encontrar Vilas de Rosas, por tão brancas e tão rosas, segui rodando, feito hipérbole giratória que se detêm em terras férteis mas não nasce resistente como palma brasileirinha, já se abre feito Rita queimada mesmo ao sol frio, do verde ao vermelho desenrola muito seca e pouco Santa.

Tudo vejo em melhor detalhe, porque sou cega. Como um estrangeiro que viveu um único dia em liberdade, e possui o resto da vida nesta cela, ou na esquina dessa rua, numa marquise na cidade.

Eu tenho vida! E ainda passaria outra existência fazendo do teto vermelho, o primeiro céu de noite estrelada, onde mesmo a bruxa brilha, e sua vassoura pisca aos planetas sem espantar a poeira de estrela. 

- Que bonito, também tenho tanto a dizer... O que é isso?

- Não é nada! Só estava revirando o lixo alheio e encontrei alguma coisa que falou comigo.

- Então por quê me mandou?

- Porque, diferente de mim, eu sei que você gosta.

Das noites em que não haviam ondas / Hoje não tem banana

 Pele a esticar feito um elástico fraco que tenta abraçar tudo que há em mim, quase a arrebentar! Ossos estalam soltos, todos eles fora do encaixe. O dentes andam quando mastigam papel, engulo cuspe e sangue já frios. Tudo em muitos momentos foi sangue e falta de ar. Hoje me resumo a leite, o que foi casca de ovo, agora é vaca ordinária, ainda lança leite, se deixa sugar.

sexta-feira, 7 de junho de 2019

A hora da estrela / eu não morri.

O livro da Clarice, conta a historia de uma mulher quase invisível, cujo brilho só é visto com sua morte.

Aconteceu um brilho ontem. E eu continuo viva, aliás, mais viva que nunca!

Eu fiz.
Mesmo sem acreditar, sem saber, sem poder.
Eu fiz, acontecer um grito ontem. Quando eu fui ouvida.

Então é isso que se sente, quando temos certeza de merecer o que acontece de bom?

Foi como parir. Com todas as dores e todos os prazeres de fazer acontecer UMA LUZ.

domingo, 28 de abril de 2019

Faíscas

A memória de 3 anos atrás, vive como o fogo do amor que nasceu com ele. Quase posso sentir a minha pele prestes a dilacerar... também recordo os medos, que já foram trocados por novos.
Tudo até agora foi por não saber se sou boa, em verdade eu tinha certeza que não seria.
E realmente não sou.
Mas o rosto dele, o sorriso cheio de barulhos gostosos, os abraços, beijos, mordidas e "amo você", me impulsionam para frente.

Eu tento com tanta força ser boa, que as vezes quase consigo ser. E sigo como jamais sonhei em conseguir. Nunca mais me senti sozinha, porque eu sou mãe.

Eu me coloquei debaixo dos pés de algumas pessoas. E foi o meu Bento que cobrou, sinalizando a seu modo, que pra respeitar as mulheres, precisa me respeitar não só como mãe.

Fui!
Muito mais empoderada, algumas vezes revoltada comigo mesma.
E saimos, mudamos de casa, de rumos e mudamos novamente. Trocamos trabalhos, reencontramos amigos, e eu redescobri lugares junto com ele...

Bento... eu te amo tanto! Você precisa saber que salvou minha vida diversas vezes... você precisa saber que fez com que eu me amasse, admirasse como nunca. Quanto orgulho tenho da gente. Te agradeço pela força que representa.
Se eu soubesse que a maternidade era esse tanto disso tudo... teria sido mãe antes, teria sido mãe mais vezes.

Ah Bento. Tomara que eu consiga te fazer nadar contra toda essa maré de retrocesso em que vivemos.

E que você nunca precise de ninguem pra te lembrar da sua força (que eu espero, seja quase feminina de tão forte). Mas, caso precise, eu estou aqui. Eu respiro, porque você existe! Eu nasci, quando você nasceu, meu filho.

30 de Abril de 2019

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

O que já vi de mais lindo na vida, é quando estou observando meu filho dormir, e ele acorda, pisca, sorri e volta a dormir

quinta-feira, 30 de junho de 2016

era mesmo um sinal






Bento chegou no dia seguinte a postagem anterior a essa, menos de 24 horas depois. Faz dois meses.
Dois meses que parecem minha vida inteira. É como se ele sempre tivesse feito parte, e ao mesmo tempo é uma constante novidade. 

Percebi que nas manhãs agitadas ele melhora quando deita sobre mim, ouvidos no coração... talvez ele sinta que meu coração sempre bateu por ele, mesmo sem saber.

E nesse momento ser mãe é isso. Ser filho é isso.