Todos os lugares parecem me expulsar, chego em algum lugar e já desejo ir embora, vou embora, e já desejo voltar...
O melhor lugar sempre é aquele onde eu ainda não estou.
Essa sensação tola que temos no trajeto entre um lugar e outro, a sensação de que tudo ficará melhor quando chegarmos, mas eu sempre chego no lugar errado.
Quantas vezes eu me senti sozinha no mundo? Quantas vezes meu rebento infelizmente sentirá o mesmo? E eu, quantas mais hei de sentir-me assim? Não importa, por hora, pela primeira vez cantarei o oposto de "Haven beside you", pois o céu está dentro... como Camus disse certa vez, que no meio de um inverno finalmente aprende-se que há dentro de si, um verão invencível.
E eu que até agora andei pelo mundo me satisfazendo e me enfadando, para em seguida buscar mais satisfação e mais quereres, sinto agora a necessidade do outro ser finalmente, sinceramente, o meu maior querer.
E talvez seja mesmo um fato, não existe maior brutalidade do que este querer, em ser tudo que é preciso ser, ainda que seja preciso ser o oposto do que queremos ser.
Quando a gente ta sozinho, a maior vontade é chamar alguém pra perto... muitas vezes eu quis a minha mãe, e por mais que ela me abraçasse e me ninasse como a um bebe, eu precisava de mais... talvez se eu pudesse voltar
O meu rebento está aqui dentro, e tudo que ele merece é amor, mas nem sempre as pessoas que deveriam amá-lo, o fazem.
Uma sorte ele ainda não poder sentir-se só... e em partes, é a minha melhor companhia, é também o único e imenso consolo.
Quando a gente ta sozinho, a maior vontade é chamar alguém pra perto... algumas pessoas podem ter sorte de manter babás variadas ao redor
Eu tenho... minha mãe
Cada dia fico um pouco mais perto de sentir o que minha mãe sente... todos os dias eu descubro algo novo, e penso: "era isso que ela sentia!"
E quantas coisas mais ela sentiu e suportou? Uma mulher tão pequenininha que eu não sei como cabe tanto coração.
Vejo que me tornar mãe, também me torna mais filha...