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quarta-feira, 19 de agosto de 2020

"Noite estrelada" ou Depois do Teto o Tédio



Meu coração queima quando mantenho TRÊS dos meus dois pés no passado, toda voz fala por ecos.

Quando todos os barulhos são paridos pelo silêncio, eu não sei em que tempo estou.

Saboreio o presente por benditos olhos puros e inocentes, como foram os meus nas aulas de história da arte moderna.

O que já foi entregue bento e sacro como uma transgressão geométrica, direciona meu olhar para frente.

Mas em sua ausência, o que carrego é "... sobretudo, cansaço"

Eu quis ter filhos de outros lábios. Aguardei o fenômeno das Peras que caem de Carvalhos balançados por Santos, mas os pintassilgos sempre voavam cantando, buscando em mim ninhos de Pelos nos Campos. Sua liberdade me desatentou.

Andei em círculos. Mesmo após encontrar Vilas de Rosas, por tão brancas e tão rosas, segui rodando, feito hipérbole giratória que se detêm em terras férteis mas não nasce resistente como palma brasileirinha, já se abre feito Rita queimada mesmo ao sol frio, do verde ao vermelho desenrola muito seca e pouco Santa.

Tudo vejo em melhor detalhe, porque sou cega. Como um estrangeiro que viveu um único dia em liberdade, e possui o resto da vida nesta cela, ou na esquina dessa rua, numa marquise na cidade.

Eu tenho vida! E ainda passaria outra existência fazendo do teto vermelho, o primeiro céu de noite estrelada, onde mesmo a bruxa brilha, e sua vassoura pisca aos planetas sem espantar a poeira de estrela. 

- Que bonito, também tenho tanto a dizer... O que é isso?

- Não é nada! Só estava revirando o lixo alheio e encontrei alguma coisa que falou comigo.

- Então por quê me mandou?

- Porque, diferente de mim, eu sei que você gosta.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Diante da morte de Bowie (As The World Falls Down)






Estou há algumas horas chorando, sem porra de motivo algum... ou talvez seja pela morte do David Bowie, acho que esse é o verdadeiro motivo. 

Não há nada relacionado a estar grávida, ou doente e adoecendo gradativamente, pois é como me sinto, apesar do meu amor aumentar com a barriga.

Não há nada de errado por eu sempre me sentir estrangeira, exatamente como Camus descreveu em seu livro, sobretudo nos parágrafos finais, quando ele diz que alguém que tenha vivido um dia em liberdade, possui memoria o bastante para detrair-se com os detalhes do mundo quando em carcere. Acho que a ideia é mais ou menos essa. Gravo bem os últimos parágrafos, pois sempre os leio duas vezes, sendo a primeira antes de iniciar o livro... é como um código entre "eu e mim", que jamais pude reproduzir em Ulisses do Joyce, por motivos óbvios.

Eu diria que o carcere não existe! De modo algum! Sobretudo, aos que precisam do mundo inteiro e sentem-se presos quando em seus quartos, e sentem que este irá lhes engolir o corpo inteiro, e triturar seus ossos com dentes de tijolos e vigas de concreto, talvez haja mesmo um ácido dentro das paredes para auxiliar a digestão.

As vezes o quarto é como a cobra de estimação de uma historia que li outro dia, que ficou semanas sem comer, a bichinha, e quando levada ao veterinário, este explicou a preocupada dona da bichaninha : "ela estava se preparando para comer você"

PS:. sobre meditar, não meditei.