Meu coração queima quando mantenho TRÊS dos meus dois pés no passado, toda voz fala por ecos.
Quando todos os barulhos são paridos pelo silêncio, eu não sei em que tempo estou.
Saboreio o presente por benditos olhos puros e inocentes, como foram os meus nas aulas de história da arte moderna.
O que já foi entregue bento e sacro como uma transgressão geométrica, direciona meu olhar para frente.
Mas em sua ausência, o que carrego é "... sobretudo, cansaço"
Eu quis ter filhos de outros lábios. Aguardei o fenômeno das Peras que caem de Carvalhos balançados por Santos, mas os pintassilgos sempre voavam cantando, buscando em mim ninhos de Pelos nos Campos. Sua liberdade me desatentou.
Andei em círculos. Mesmo após encontrar Vilas de Rosas, por tão brancas e tão rosas, segui rodando, feito hipérbole giratória que se detêm em terras férteis mas não nasce resistente como palma brasileirinha, já se abre feito Rita queimada mesmo ao sol frio, do verde ao vermelho desenrola muito seca e pouco Santa.
Tudo vejo em melhor detalhe, porque sou cega. Como um estrangeiro que viveu um único dia em liberdade, e possui o resto da vida nesta cela, ou na esquina dessa rua, numa marquise na cidade.
Eu tenho vida! E ainda passaria outra existência fazendo do teto vermelho, o primeiro céu de noite estrelada, onde mesmo a bruxa brilha, e sua vassoura pisca aos planetas sem espantar a poeira de estrela.
- Que bonito, também tenho tanto a dizer... O que é isso?
- Não é nada! Só estava revirando o lixo alheio e encontrei alguma coisa que falou comigo.
- Então por quê me mandou?
- Porque, diferente de mim, eu sei que você gosta.

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