quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Sartre e minha avó

Movimentos repetitivos, suor, taquicardia, tontura, respiração ofegante... meu corpo parece que trabalhou demais, porém eu apenas fiquei me debatendo na cama, o contato da pele com os lençóis me arrepiava e não era possível parar de me balançar ... acho que estou morrendo, mas é só panico.

Quando eu era criança, essas coisas aconteciam com muito mais frequência, minha mãe não conseguia me segurar, sofria até que meu pai chegasse para me conter. Eles seguravam minhas pernas e braços, e eu ficava dura, gritava, chorava, as vezes eu escapava e eles me pegavam novamente... Depois era um cansaço, meu e deles. Me recordo de muitas coisas na infância, mas de dias assim, são flashes. Ninguém sabe o que fazer, eu só consigo pensar que "ta tudo bem...", mas, nada está. Eu sequer sei o que está acontecendo comigo.

Minha avó sempre dizia algo que Sartre também cria, "a pior dor é a que sentimos", ela sempre me questionava sobre a minha dor, e eu dizia que não sabia, lembrando dela, agora, acho que ela entendia, possuía alguns distúrbios, o marido dela, meu avô, também. Certa vez ela rasgou suas roupas e se arranhou inteira, gritando, eu era pequena, não entendi, mas agora eu sei bem o que ela sentiu nesse instante. 





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