domingo, 28 de abril de 2019

Faíscas

A memória de 3 anos atrás, vive como o fogo do amor que nasceu com ele. Quase posso sentir a minha pele prestes a dilacerar... também recordo os medos, que já foram trocados por novos.
Tudo até agora foi por não saber se sou boa, em verdade eu tinha certeza que não seria.
E realmente não sou.
Mas o rosto dele, o sorriso cheio de barulhos gostosos, os abraços, beijos, mordidas e "amo você", me impulsionam para frente.

Eu tento com tanta força ser boa, que as vezes quase consigo ser. E sigo como jamais sonhei em conseguir. Nunca mais me senti sozinha, porque eu sou mãe.

Eu me coloquei debaixo dos pés de algumas pessoas. E foi o meu Bento que cobrou, sinalizando a seu modo, que pra respeitar as mulheres, precisa me respeitar não só como mãe.

Fui!
Muito mais empoderada, algumas vezes revoltada comigo mesma.
E saimos, mudamos de casa, de rumos e mudamos novamente. Trocamos trabalhos, reencontramos amigos, e eu redescobri lugares junto com ele...

Bento... eu te amo tanto! Você precisa saber que salvou minha vida diversas vezes... você precisa saber que fez com que eu me amasse, admirasse como nunca. Quanto orgulho tenho da gente. Te agradeço pela força que representa.
Se eu soubesse que a maternidade era esse tanto disso tudo... teria sido mãe antes, teria sido mãe mais vezes.

Ah Bento. Tomara que eu consiga te fazer nadar contra toda essa maré de retrocesso em que vivemos.

E que você nunca precise de ninguem pra te lembrar da sua força (que eu espero, seja quase feminina de tão forte). Mas, caso precise, eu estou aqui. Eu respiro, porque você existe! Eu nasci, quando você nasceu, meu filho.

30 de Abril de 2019

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

O que já vi de mais lindo na vida, é quando estou observando meu filho dormir, e ele acorda, pisca, sorri e volta a dormir

quinta-feira, 30 de junho de 2016

era mesmo um sinal






Bento chegou no dia seguinte a postagem anterior a essa, menos de 24 horas depois. Faz dois meses.
Dois meses que parecem minha vida inteira. É como se ele sempre tivesse feito parte, e ao mesmo tempo é uma constante novidade. 

Percebi que nas manhãs agitadas ele melhora quando deita sobre mim, ouvidos no coração... talvez ele sinta que meu coração sempre bateu por ele, mesmo sem saber.

E nesse momento ser mãe é isso. Ser filho é isso.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

uma vida depois da vida





Quando fiz o teste de gravidez e deu positivo, me subiu um fogo assim no peito... passou.  Senti muito medo, quase enlouqueci, ou enlouqueci mesmo?... Mas essa euforia, eu senti outras vezes nesses meses.

Quando o vi no ultrassom; quando ouvi o coração, tão rapidinho... quando descobri q era menino, ate olhei pro rosto do pai, ele me olhou, não sei dizer o sentido desse olhar.

Era e é uma coisa que vai do coração, pulmão até a garganta... parece que algo irá romper em confetes, mas acaba antes... acaba num suspiro, um sorriso, nos olhos cheio d`água, sabe?

Quando o senti mexer a primeira vez, foi como o inicio de uma amizade... eu tive duvidas ai ele mexeu novamente, pra confirmar que era ele mesmo ali! 

No inicio era uma onda fraca, depois ficou mais forte, agora possui um jeito proprio de balançar uma das perninhas, o habito noturno de acordar. As pessoas podem senti-lo, acho que ele reconhece os seus, fica mais mexilão, talvez queira chamar atenção.

Quando pensei em Bento, foi como ouvir a vontade dele pela primeira vez, ele chutando confirmando que era esse o seu nome.

Ontem tive certeza que morreria, a minha vida toda escapava, eu sabia que ia morrer, e continuaria viva.

Mas agora, especialmente hoje, tenho sentido essa euforia o tempo inteiro... e eu sequer recordava que esse conjunto se sensações chamava-se euforia. Esse fogo, esse nó... serão os hormonios dando sinal?

Com tudo isso, eu sei que quando vê-lo, será como enxergar pela primieira vez.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

#Bento

Todas as ultimas palavras, de todas as frases, presentes em todas as musicas, rimam com seu nome, rezam para que fique mais... mais perto do que ainda é possivel.

Meu corpo hoje é dois e antes de ser ele, meu corpo era dois coraçoes batento em mim. A sociedade como Godard disse

amor...
Um querendo ser dois
E não dois querendo ser um

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Sinais de sangue e de leite

.
a paixão que vem de dentro fala. Tu vens, eu escuto, vejo, sinto. Sinto no sangue e sinto no leite.

35 semanas, ainda não estou pronta pra deixá-lo sair. Ele pertence somente a mim. Eu queria que tudo que me trouxe ele ainda me pertencesse. Talvez eu tenha mais sangue que leite a oferecer. 

Espera um tanto mais... a vida se ajeita no nosso ritimo. Filho dessa canção, dessa dança entre sim e não... o que desorganiza, a vida, a cama... mesmo quando esta é só um colchão no chão

Porque prefiro mais uma dose das noites sem fim a fruta mordida ... mesmo te embalando na batida da rede, caso teu sono com a minha inquietação, aquela crise de ansiedade com a minha depressão.

não tenho rumo... e quem tem?
Não vim para ser acento agudo, virgula, um A craseado... sou a reticencia, o que nos dá razão.





quarta-feira, 20 de abril de 2016

essa cidade dos sonhos inteira






Tive um sonho que mais parecia um filme do Buñel, me deixou deveras cansada fisicamente. Acordei como quem estivera trabalhando a noite inteira!
Na rua, caminhando, passo por uma escada de ferro velha, em caracol, num lugar parecido com uma estação de trem.

Havia um senhor, vestido como um professor de educação fisica, com apito e tudo, ele gritava:

"Eles desistem a gente sobe, eles desistem a gente sobe, eles desistem a gente sobe"

E apitava forte

Haviam duas ou três pessoas subido a escada de ferro, com extremo cuidado e certo terror
E diversas pessoas que desciam a escada, algumas gritavam, outras se jogavam dos ultimo lances de escada e caiam aliviadas...

Por algum motivo me atrevi a subir: degraus se desfazendo, presos por gambiarras que pareciam ter sido feitas pelo MacGyver.

Experimentei o temor, o desespero, que via no rosto das pessoas... havia quem passava por mim correndo fazendo a escanda balançar, eu suava de medo.

Havia alguém subindo. Que parecia estar em duvida quanto a prosseguir. E a voz do professor de educação fisica gritanto e apitando

"Eles desistem a gente sobe, eles desistem a gente sobe. Eles desistem a gente sobe"

E eu subia

Subi por horas, passei por degraus de vidro, ventos fortes, o sol... pessoas em desespero. Em algum ponto nao havia mais ninguem e os degraus eram menos deteriorados

A voz, e o apito estavam lá, mais fortes!

"Ele desistem a gente sobe. Eles desistem a gente sobe. Eles desistem a gente sobe"

Acabaram os degraus, não havia nada alem de um fim para o qual nao tive coragem de olhar, era como um precipicio, um nada... esse nadadizer que é a vida!

"Você desiste ou você sobe?"
Alguem perguntou.

Mas eu já subi!
Pensei

Dei meia volta e comecei a descer, descia com cuidado para não atrapalhar os raros que quem ainda subiam. Eu os olhava com compaixão, e pensava no que eles encontrariam, o que fariam? Outros desciam apavorados, maltratando a escada já morta!

Parei
Pensei
Deveria ter me atirado no nada da vida? A imagem do fim dos degraus nao saia da minha cabeça.

Estou parada
Nao posso descer, mas nao consigo subir ainda.